01 maio 2006

Greve dos Livros: a crítica



Imaginem que os livros entrem em greve. Não… não falo apenas em relação à peça produzida e apresentada pelo TIM. Falo de uma greve a sério. Nesse caso, se fosse um livro, de certeza que eu aderiria à greve.

Regressemos agora à peça.Livros importantes como História Universal, Matemática, Enciclopédia, Chiquinho (o dito mais cabo-verdiano dos livros) ou ainda o clássico de Tolstoy Guerra e Paz, representantes de importantes bibliotecas do país (convém dizer que alguns desses representam bibliotecas do mundo inteiro) estão danados com a forma como os humanos os tratam e convocam uma reunião de emergência. Após a apresentação de várias opções, fórmulas, etc. e de terem relatado todo o seu sofrimento chega-se à única solução possível – apresentar uma lista de reivindicações e proclamar uma greve. Só resta saber como fazer chegar a mensagem aos humanos Este é o début para a mais recente criação do TIM – Teatro Infantil do Mindelo.

Se a trupe teve como alvo o público infantil, devo dizer que conseguiram mais do que isso. É importante dizer que as crianças constituem um público bastante exigente, porém bastante participativo. De certeza que, no que diz respeito ao conteúdo da mensagem, as crianças devem ter aprendido a lição e ter sentido mais pena dos livros. É claro que as fábulas tocam mais as crianças, mas penso que aqui não é o caso. Ora, se na realidade os livros não têm bocas, porque não fazê-los falar através da sátira? É claro que isso poderia funcionar como um conto ilustrado ou ainda com um filme de animação. Porém, está certo que não há melhor forma de arte que o teatro para fazer passar a mensagem, uma vez que, além de digerida, há uma interacção do público. Diverti-me, ri-me com os meus filhos, porém muitas vezes senti uma profunda nostalgia, pois eu tenho minha biblioteca pessoal e tenho consciência de como essa “criaturas” têm contribuído sobejamente para o enriquecimento do meu conhecimento, da minha cultura geral, e de minha formação como Homem e como ser.

Falando do ponto de vista técnico, não há nada por aí além. Não esqueçamos que se trata de uma peça infantil (não que as crianças não mereçam sempre a melhor qualidade, mas sim porque não há aqui a necessidade de muita luz ou uma banda sonora especial). Além disso o que importa mais nessa peça são os livros, vítimas dos nossos maus-tratos. Porém há notas importantes da peça, a realçar a encenação que torna a mensagem mais elucidativa, a cenografia (as peças parecem ter sido feitas com mestria) e a interpretação. Por vezes até se esquece que são “apenas” livros – há impressão que são seres mais humanos do que o Homem com todos os seus defeitos e virtudes. Aliás, os defeitos dos livros nascem das mãos dos humanos. Deus criou o Homem mas não o destrói, então porque criámos o livro e o destruímos constantemente?Vi a peça apenas uma vez. Mas dá-me vontade de vê-la mais. Afinal, é sempre necessário alguma fórmula bijectiva.

Parabéns pela iniciativa, TIM. Continuem!

Neu Lopes
Sarron.com

Greve dos Livros: algumas imagens



Actores da Greve dos Livros

Anselmo Fortes

Beti Gonçalves

Mirtó Verissimo

Silvia Lima

Tchá Fonseca Soares

Zenaida Alfama

14 abril 2006

quem somos nós



1. Grupo fundado em 2002, pretendeu com a sua criação preencher uma lacuna do teatro cabo-verdiano que era a ausência de um teatro dirigido às nossas crianças. O grupo tem apostado na diversificação, criatividade, diversão, no teatro de marioneta, na recuperação de contos tradicionais e na educação artística e ambiental. É formado por um conjunto de actores mindelenses de diferentes grupos teatrais já com larga experiência de palco, para dar voz a este cada vez maior interesse das crianças cabo-verdianas pelas artes cénicas. Ainda recente, o grupo pretende produzir novas histórias para encantar a meninada e espalhar o teatro por todas as ilhas do arquipélago

2.
Responsável: Elisabete Gonçalves e Mirtó Veríssimo

3.
Elenco: 8 elementos

4.
Pessoal Técnico: Fonseca Soares (som); Anselmo Fortes (iluminação)

5.
Público Alvo: Público Infantil de todo o país

6.
Criações recentes: "História de Blimundo" (2002), "O Que os Olhos não Vêem" (2003), "K'el Menina Vaidosa" (2004), "A Invasão do Lixo" (2005), "Mal D'Amor" (2005)

7. Próxima Estreia : " A Greve dos Livros" a 22 de abril de 2006